terça-feira, 5 de abril de 2011
DICAS DE PORTUGUÊS: Não troque VER por VIR
É comum na modalidade oral da língua (e na escrita também) observar a confusão na hora de usar os verbos VER e VIR no futuro do subjuntivo. Não pensem que se trata de um desvio da norma por pessoas com baixo grau de escolaridade, os falantes da chamada norma culta também se atrapalham no uso. Vamos conjugar? VER: Se eu vir, se tu vires, se ele vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles virem. VIR: Se eu vier, se tu vieres, se ele vier, se nós viermos, se vós vierdes, se eles vierem. Como fazer? lá vai a dica: Todos sabem conjugar o modo indicativo não é? Pois então, do pretérito perfeito do inicativo do verbo VER (eu vi, tu viste, ele viu, nós vimos, vós vistes eles VIRAM), observe a 3ª pessoa do plural (VIRAM), agora retire a desinência AM, então em todas as flexões do subjuntivo, o radical são as três primeiras letras VIR. O mesmo se dá com o verbo VIR (eles VIERAM). As primeiras letras da 3ª pessoa do plural formarão o radical do verbo vir (VIER). Volte e conjugue os verbos novamente. Fácil não? Esqueceu? vá a sua conjugação no indicativo e observe a 3ª pessoa do plural. Claro que tudo isso será mais fácil de corrigir na modalidade escrita da língua, porque na comunicação oral você não vai deixar o interlocutor esperando, vai? Para aqueles que prezam uma fala mais aproximada do que se convencionou chamar de Norma Culta da língua, devo alertar para que pratique a modalidade escrita (tradicional), pois quem mais dela se utiliza mais interferência sofre em sua fala. O problema é que a escrita tradicional já está sofrendo interferências da linguagem digital, que por sua vez tem características da comunicação oral... sobre isso aguardem a próxima postagem.
domingo, 30 de janeiro de 2011
LINGUAGEM DIGITAL
A ERA DA DISSIMULAÇÃO: A LINGUAGEM EM TEMPOS DE TECNOLOGIA
Investigar a construção de sentidos no ambiente de interação on-line é, no mínimo, tarefa instigante para quem se interessa pelos fenômenos da língua em uso, pois a linguagem digital apresenta características próprias, criadas pelos usuários da língua com a finalidade de atender a uma necessidade de comunicação em tempo real.
Há que se considerar que o universo digital é um poço de insatisfação e criatividade. Na mídia, todo "absurdo" torna-se interessante. O remix é um processo natural no mundo virtual. É pssível que a era da dissimulação sempre tenha existido, mas hoje ela germina para legitimar a mídia que consumimos por uma linguagem digital.
Investigar a construção de sentidos no ambiente de interação on-line é, no mínimo, tarefa instigante para quem se interessa pelos fenômenos da língua em uso, pois a linguagem digital apresenta características próprias, criadas pelos usuários da língua com a finalidade de atender a uma necessidade de comunicação em tempo real.
Há que se considerar que o universo digital é um poço de insatisfação e criatividade. Na mídia, todo "absurdo" torna-se interessante. O remix é um processo natural no mundo virtual. É pssível que a era da dissimulação sempre tenha existido, mas hoje ela germina para legitimar a mídia que consumimos por uma linguagem digital.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A ERA DA DISSIMULAÇÃO: A LINGUAGEM EM TEMPOS DE TECNOLOGIAS
A linguagem é fictícia. Entre a similitude e a simultaneidade dos acontecimentos, o disfarce permeia a linguagem tecnológica. Este artigo trata do uso da linguagem, a partir da interferência das novas tecnologias, cujo desafio é compreender a linguagem não verbal e às questões do uso no cotidiano das pessoas. Uma questão nos impulsionou ao desenvolvimento desse desafio: como se dá a relação entre o que se diz e o não dito? Nosso objetivo é analisar as interfaces da linguagem e o comportamento do usuário da língua em face das tecnologias, procurando desvendar os segredos do não dito da linguagem digital e seus códigos em tempos de tecnologias. Para melhor focar a era da dissimulação pela linguagem, tecemos nossas considerações com base nos estudos de Hanna Arendt, Maffesoli, Flusser e Labov. A partir das análises realizadas, constatamos que a cultura digital é o lócus ideal para o disfarce dos sentidos favorecido pelo novo universo midiático. Este desafio nos permitiu compreender a efemeridade da linguagem. Um estudo que destaca a linguagem na cultura digital presta-se ao interesse não somente dos estudiosos da linguagem, mas de todos os que dela necessitam para interagir no cotidiano.
(Texto publicado nos Anais do III Simpósio de Hipertexto/UFPE)
(Texto publicado nos Anais do III Simpósio de Hipertexto/UFPE)
domingo, 25 de julho de 2010
DICAS DE PORTUGUÊS
Olá gente,
Lá vai mais uma conversa despretensiosa sobre “a última flor do Lácio inculta e bela”: A língua portuguesa
Contrair ou não Contrair?
Em o, em ele, em aquele, em esse... Construções desse tipo somente devem ser usadas quando o, ele, aquele, forem sujeito do verbo. Não vejo problema em o nome de Jesus ser exaltado. O problema está em ele não usar a contração quando perfeitamente cabível, a exemplo de quando ora em o nome de Jesus e não no nome do Senhor, ou simplesmente em nome de Jesus. Sabemos que o nome de Jesus tem poder, logo, não vejo dificuldade em o nome de Jesus servir de exemplo para compreendermos os processos evolutivos da língua. Isso porque O NOME DE JESUS é o sujeito de SERVIR. Quando, porém, o termo não for sujeito do verbo, deve-se proceder a contração sem problemas, pois a combinação da preposição com o artigo é um fenômeno natural da língua.
Outro exemplo: Apesar de esse nome ter poder para iluminar nossas mentes, faz-se necessário que empreendamos esforços, em termos de buscarmos o conhecimento em forma de pesquisa. Estudamos muito e, apesar disso, muitas vezes, o resultado não reproduz o nosso esforço... é que, às vezes, paramos quando ainda temos energia para um esforço a mais, e, certamente não demos o nosso máximo. Pesquisem e vejam que não há possibilidade de a preposição preceder o sujeito. Veja o que acabo de dizer. Quem não deve preceder o sujeito? A preposição? O sintagma a preposição é sujeito do verbo preceder. Assim, nesse caso, não poderíamos contrair (de + a = da).
Ainda resta dúvida? Só marcando horário.
Um abraço!
Solange Carvalho
Lá vai mais uma conversa despretensiosa sobre “a última flor do Lácio inculta e bela”: A língua portuguesa
Contrair ou não Contrair?
Em o, em ele, em aquele, em esse... Construções desse tipo somente devem ser usadas quando o, ele, aquele, forem sujeito do verbo. Não vejo problema em o nome de Jesus ser exaltado. O problema está em ele não usar a contração quando perfeitamente cabível, a exemplo de quando ora em o nome de Jesus e não no nome do Senhor, ou simplesmente em nome de Jesus. Sabemos que o nome de Jesus tem poder, logo, não vejo dificuldade em o nome de Jesus servir de exemplo para compreendermos os processos evolutivos da língua. Isso porque O NOME DE JESUS é o sujeito de SERVIR. Quando, porém, o termo não for sujeito do verbo, deve-se proceder a contração sem problemas, pois a combinação da preposição com o artigo é um fenômeno natural da língua.
Outro exemplo: Apesar de esse nome ter poder para iluminar nossas mentes, faz-se necessário que empreendamos esforços, em termos de buscarmos o conhecimento em forma de pesquisa. Estudamos muito e, apesar disso, muitas vezes, o resultado não reproduz o nosso esforço... é que, às vezes, paramos quando ainda temos energia para um esforço a mais, e, certamente não demos o nosso máximo. Pesquisem e vejam que não há possibilidade de a preposição preceder o sujeito. Veja o que acabo de dizer. Quem não deve preceder o sujeito? A preposição? O sintagma a preposição é sujeito do verbo preceder. Assim, nesse caso, não poderíamos contrair (de + a = da).
Ainda resta dúvida? Só marcando horário.
Um abraço!
Solange Carvalho
quarta-feira, 21 de julho de 2010
ESTUDO VARIÁVEL DO DITONGO EM SALA DE AULA:
Solange Carvalho
Mestre em Linguística/UFPE
Carlos Cordeiro
Mestre/Ciências da Linguagem/Unicap
1 Introdução
Este artigo trata do estudo variável dos ditongos decrescentes orais (ai, ei, ou) em sala de aula, como sugestão metodológica aos professores a ser aplicado em suas salas de aula. O objetivo precípuo do trabalho é levar o professor a instigar os alunos na busca da compreensão da Língua Portuguesa falada no Brasil, a partir do conhecimento da variação e mudança linguística. Acreditamos que a aceitação dessa diversidade, sem preconceito, venha a favorecer o processo ensino-aprendizagem.
A educação no Brasil alimenta o preconceito linguístico quando apresenta uma escola que impõe o ensino da gramática normativa, em que o aluno se vê quase que obrigado a memorizar uma gama de regras, cuja dificuldade fulcral é a distância do uso natural da fala. O falante acredita que a sua “deficiência” está relacionada a sua capacidade cognitiva, achando-se inapto ao aprendizado da língua nativa. Alguns passam a se policiar para não se descuidarem da chamada norma padrão e tornam-se seguidores fiéis dos gramáticos, disseminando assim o preconceito linguístico.
Além do mais, a possível má formação dos professores não contribui para a dissipação de mitos e preconceitos que criam uma ideologia conservadora que instaura nos falantes certa aversão à linguística, até entre os reconhecidamente cultos (BAGNO, 2005, p.78)
Certo estava Gilberto Freyre quando transcreveu nos muros Fundação Joaquim Nabuco, as palavras de João Cabral de Mello Neto: “Ninguém escreveu em português no brasileiro de sua língua”. Desta forma, cabe ao professor, em sua prática pedagógica, esclarecer o aluno a distinção entre o Português do Brasil e o Português falado em Portugal.
É pertinente dizer que a tendência ao apagamento do ditongo já é objeto de estudo de vários pesquisadores linguistas, atestados em várias regiões do Brasil, a saber: Cabreira (1996), que reconhece o apagamento do ditongo /ow/ como categórico na fala espontânea do Português do Brasil, atestados em todos os contextos nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre; Farias e Morais (2002), que estudou o ditongo ow e ey na mesorregião do Pará; Carvalho (2007), cuja pesquisa empírica atesta o apagamento dos ditongos decrescentes orais na fala do recifense, entre tantos outros. Todos esses estudos seguiram os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística variacionista de Labov (1972).
Ressaltamos a relevância do ensino de processos fonológicos como o apagamento do ditongo na esfera discursiva do professor em sala de aula. Para este estudo, consideramos a variável social escolaridade
Levantamos, (Seção 5) algumas sugestões de prática de ensino do ditongo como estudo variável, em que os alunos – participantes ativos do processo ensino-aprendizagem – poderão observar as diferenças entre o ditongo estudado na gramática e o ditongo observado pelo falante da língua, em situação natural de fala. A partir das atividades realizadas, o aluno terá condições de perceber as lacunas entre a fala e a escrita, observando também que muitas vezes o que o professor tradicional chama de “erro”, na verdade é apenas um reflexo do uso da língua.
Por fim, tecemos algumas considerações finais sobre este estudo, em que pese ser preliminar, forneceu ao ensino do Português falado no Brasil uma contribuição relevante.
Mestre em Linguística/UFPE
Carlos Cordeiro
Mestre/Ciências da Linguagem/Unicap
1 Introdução
Este artigo trata do estudo variável dos ditongos decrescentes orais (ai, ei, ou) em sala de aula, como sugestão metodológica aos professores a ser aplicado em suas salas de aula. O objetivo precípuo do trabalho é levar o professor a instigar os alunos na busca da compreensão da Língua Portuguesa falada no Brasil, a partir do conhecimento da variação e mudança linguística. Acreditamos que a aceitação dessa diversidade, sem preconceito, venha a favorecer o processo ensino-aprendizagem.
A educação no Brasil alimenta o preconceito linguístico quando apresenta uma escola que impõe o ensino da gramática normativa, em que o aluno se vê quase que obrigado a memorizar uma gama de regras, cuja dificuldade fulcral é a distância do uso natural da fala. O falante acredita que a sua “deficiência” está relacionada a sua capacidade cognitiva, achando-se inapto ao aprendizado da língua nativa. Alguns passam a se policiar para não se descuidarem da chamada norma padrão e tornam-se seguidores fiéis dos gramáticos, disseminando assim o preconceito linguístico.
Além do mais, a possível má formação dos professores não contribui para a dissipação de mitos e preconceitos que criam uma ideologia conservadora que instaura nos falantes certa aversão à linguística, até entre os reconhecidamente cultos (BAGNO, 2005, p.78)
Certo estava Gilberto Freyre quando transcreveu nos muros Fundação Joaquim Nabuco, as palavras de João Cabral de Mello Neto: “Ninguém escreveu em português no brasileiro de sua língua”. Desta forma, cabe ao professor, em sua prática pedagógica, esclarecer o aluno a distinção entre o Português do Brasil e o Português falado em Portugal.
É pertinente dizer que a tendência ao apagamento do ditongo já é objeto de estudo de vários pesquisadores linguistas, atestados em várias regiões do Brasil, a saber: Cabreira (1996), que reconhece o apagamento do ditongo /ow/ como categórico na fala espontânea do Português do Brasil, atestados em todos os contextos nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre; Farias e Morais (2002), que estudou o ditongo ow e ey na mesorregião do Pará; Carvalho (2007), cuja pesquisa empírica atesta o apagamento dos ditongos decrescentes orais na fala do recifense, entre tantos outros. Todos esses estudos seguiram os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística variacionista de Labov (1972).
Ressaltamos a relevância do ensino de processos fonológicos como o apagamento do ditongo na esfera discursiva do professor em sala de aula. Para este estudo, consideramos a variável social escolaridade
Levantamos, (Seção 5) algumas sugestões de prática de ensino do ditongo como estudo variável, em que os alunos – participantes ativos do processo ensino-aprendizagem – poderão observar as diferenças entre o ditongo estudado na gramática e o ditongo observado pelo falante da língua, em situação natural de fala. A partir das atividades realizadas, o aluno terá condições de perceber as lacunas entre a fala e a escrita, observando também que muitas vezes o que o professor tradicional chama de “erro”, na verdade é apenas um reflexo do uso da língua.
Por fim, tecemos algumas considerações finais sobre este estudo, em que pese ser preliminar, forneceu ao ensino do Português falado no Brasil uma contribuição relevante.
domingo, 11 de julho de 2010
A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA COMO PONTO DE PARTIDA PARA A COMPREENSÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA
(Trata-se apenas da introdução de uma comunicação apresentada no seminário do EELL/Facho, em 2009)
INTRODUÇÃO
Os maiores problemas de que se queixam os aprendizes, quando se dispõem a buscar a excelência do uso da língua, resultam da assimetria entre a norma e o uso. Este artigo trata das dificuldades linguísticas provenientes das imposições dos rigores gramaticais, muito comum no meio acadêmico e profissional. Ouve-se muito se falar em norma padrão, entretanto é compreensível que essa questão instigue uma série de questionamentos, a saber: que padrão é este que privilegia o falar da classe dominante? Qual o conceito de padrão, senão um modelo que deva ser seguido por todos? Ora, se o uso natural da língua segue um padrão, pressupomos que esse padrão não alcance o agricultor, tampouco alcance as diversidades linguísticas entre as regiões, entre as pessoas de classes sociais diferenciadas! Se a fala foge ao padrão, podemos considerá-la errada? Se existe mesmo unidade em língua, qual a dificuldade no seu uso?
São questões como essas que nos levam a crer na relevância de uma reflexão sobre o estudo da língua, mediante o que se busca compreender o seu uso natural, abrindo espaço assim a uma discussão sobre a realidade da variação linguística e do preconceito linguístico.
Pela observação do social, verificamos o uso variável da língua, ou seja, as pessoas realizam fatos fonéticos dignos de análise. O estudo desses fatos fonéticos variáveis podem ser um excelente caminho para instigar o aluno a uma melhor compreensão da língua, de maneira que para atender aos objetivos deste breve estudo, optamos pela abordagem sociolinguística, na perspectiva de Labov, autor da Teoria da Variação (1972). Segundo o referido teórico, por ser a sociedade heterogênea, a língua deve ser estudada contemplando a sua heterogeneidade.
O objetivo precípuo dessa discussão teórica é possibilitar uma melhor compreensão da língua portuguesa dos aspectos dos fenômenos variáveis recorrentes nas comunidades de fala.
INTRODUÇÃO
Os maiores problemas de que se queixam os aprendizes, quando se dispõem a buscar a excelência do uso da língua, resultam da assimetria entre a norma e o uso. Este artigo trata das dificuldades linguísticas provenientes das imposições dos rigores gramaticais, muito comum no meio acadêmico e profissional. Ouve-se muito se falar em norma padrão, entretanto é compreensível que essa questão instigue uma série de questionamentos, a saber: que padrão é este que privilegia o falar da classe dominante? Qual o conceito de padrão, senão um modelo que deva ser seguido por todos? Ora, se o uso natural da língua segue um padrão, pressupomos que esse padrão não alcance o agricultor, tampouco alcance as diversidades linguísticas entre as regiões, entre as pessoas de classes sociais diferenciadas! Se a fala foge ao padrão, podemos considerá-la errada? Se existe mesmo unidade em língua, qual a dificuldade no seu uso?
São questões como essas que nos levam a crer na relevância de uma reflexão sobre o estudo da língua, mediante o que se busca compreender o seu uso natural, abrindo espaço assim a uma discussão sobre a realidade da variação linguística e do preconceito linguístico.
Pela observação do social, verificamos o uso variável da língua, ou seja, as pessoas realizam fatos fonéticos dignos de análise. O estudo desses fatos fonéticos variáveis podem ser um excelente caminho para instigar o aluno a uma melhor compreensão da língua, de maneira que para atender aos objetivos deste breve estudo, optamos pela abordagem sociolinguística, na perspectiva de Labov, autor da Teoria da Variação (1972). Segundo o referido teórico, por ser a sociedade heterogênea, a língua deve ser estudada contemplando a sua heterogeneidade.
O objetivo precípuo dessa discussão teórica é possibilitar uma melhor compreensão da língua portuguesa dos aspectos dos fenômenos variáveis recorrentes nas comunidades de fala.
sábado, 10 de julho de 2010
A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER
Entrevistada: Solange Carvalho (UFPE/Fundaj)
Entrevistadora: Madeleine Barros Agrelli (UVA)
1- Até que ponto um reduzido grau de leitura pode interferir na vida de um indivíduo?
R- Precisar o grau e a interferência na vida do indivíduo não é tarefa simples, além do mais a necessidade da leitura (no caso de livros) vai depender de vários fatores, a exemplo das atividades profissionais que exerça na sociedade. Se para sobreviver a contento, baste ao indivíduo fazer a leitura da direção de um ônibus, uma sinalização de trânsito, ou mesmo, apenas o próprio nome, o seu grau de leitura não precisa ser tão elevado. Entretanto se estivermos falando de leitura de mundo... aí adentramos por um outro viés.
2 -Você acha que qualquer leitura é construtiva para o processo de apropriação do saber? Justifique.
R- Isso é relativo. Vai depender do tipo de conhecimento que se queira apropriar. Segundo a Bíblia, o apóstolo Paulo afirmou que se deveria conhecer de tudo e reter o que era bom. Assim se dá com a leitura, podemos ler de tudo, sempre teremos o que aprender, não podemos imaginar que não haja o que aprender na leitura de determinado gênero. A questão é o foco de interesse, uma empresária feminista pode não gostar de livros de receitas, já uma dona de casa, dificilmente deixará de ter um exemplar em sua estante. Acho que aprender nunca é demais, como dizia o grande educador Paulo Freyre é preciso que quem sabe, saiba sobretudo que ninguém sabe tudo, e, que ninguém tudo ignora, no seu livro Pedagogia do Oprimido. O fato é que, se nós alimentamos preconceitos, e o fazemos, deixamos de nos interessar por determinadas leituras que somente nos enriqueceria, em termos de aquisição cultural. Em termos de apropriação do saber, todo tipo de leitura é válido, a depender do foco de interesse, entretanto, algumas leituras tem seu aspecto negativo quando interfere na ortografia por exemplo, se temos o costume de ler autores desavisados do ponto de vista da escrita, isso pode ter uma interferência negativa nesse aspecto.
3- Você concorda com a professora Nelly de Carvalho (UFPE) quando diz: “Quem ler mais, erra menos? Em que aspecto?
R- Plenamente! Nossa mente funciona como uma câmara fotográfica, quando lemos, absorvemos as formas como são escritas as palavras, enriquecemos nosso acervo lexical. Podemos sequer lembrar a regra ortográfica que implica em determinado lexema, mas certamente saberemos como escrevê-lo, pois está fotografado lá no aparato mental.
4- Em que aspecto pode-se dizer que a leitura interfere na escrita?
R- A leitura interfere na escrita em vários aspectos; na ortografia, como já mencionado na questão anterior, no estilo absorvido de determinado autor, nos termos relacionais usuais, no conteúdo, pois quem ler mais passa a ter mais ideias, a partir da leitura de outros pontos de vista, o leitor vai formulando os seus próprios pontos de vista. O indivíduo que não tem o hábito de ler, quando escreve terá o hábito de escrever fonologicamente, ou seja, da maneira como fala, e, como sabemos, a linguagem escrita diverge da linguagem falada. A linguagem falada tem o recurso do extralinguístico para auxiliar na comunicação, ou seja, um gesto, um olhar de aprovação ou reprovação, um morder de lábios. O falante vai fornecendo pistas de contextualização que auxilia o seu interlocutor interagir, fazer a leitura dessas sinalizações e até mudar de atitude...a linguagem escrita, não tem o auxílio dos fatores extralinguísticos, por isso tudo que se quer dizer, é preciso ser dito, do contrário não se fará entender. A leitura vai nos dar o conteúdo, por isso quando escrevemos, fazemos citações, referenciamos e usamos a intertextualidade, um dos critérios da textualidade. Somente quem tem o hábito de ler pode lançar mão de tais recursos.
5- O que significa a seguinte assertiva sobre o gênero HQ: “são atrofiadores de mentes”. Você concorda? Comente os aspectos positivos e/ou os negativos.
R- Não sou tão radical a esse ponto, mas compreendo o que o autor dessa assertiva quis dizer. Se viciamos a nossa mente a ler somente com o recurso da visualização, estamos nos condicionando a repugnar qualquer leitura que não tenha imagem. Outro ponto a ser discutido é que os elaboradores de tais textos, não têm a preocupação necessária com a linguagem escrita, com a normatização da língua. Temos por exemplo uma crítica a fazer nas falas do personagem Chico Bento, cujo exagero em pontuar seus erros na escrita não condizem com a realidade da própria escrita. Chico Bento jamais pode ter problema com acentuação, pois ele fala acentuadamente, mas quem escreve, com a intenção de mostrar que ele “fala errado”, não coloca os acentos gráficos nas palavras, ou, mais absurdo ainda, registram problemas de ortografia da fala de Chico Bento, um exemplo grosseiro, se o personagem pronuncia uma palavra com ch, o escritor grafa com x, só que do ponto de vista fonético tais fonemas são idênticos, o dígrafo ch tem o som de x, se ele diz “cheiro”, vão escrever xero. Enfim, há um exagero que pode ser prejudicial aos leitores que estão no processo de aquisição da linguagem. Já as tiras de Mafalda são interessantíssimas, criativas e inteligentes. De modo que os aspectos positivos desse gênero textual estão na fruição e na criatividade de algumas tiras e também, no gosto pela leitura, quando se está ainda no início do processo. Os negativos, como já foram vistos estão relacionados ao condicionamento visual e às questões ortográficas.
6- Qual a relação entre letramento e a leitura de impressos?
R- Uma pessoa que ler muitos impressos tem hábito de leitura. Inferimos disso que ela naturalmente tem grau elevado de letramento, posto que adquire novos saberes através da leitura. Não podemos dizer, entretanto, que o letramento está relacionado apenas a esse tipo de conhecimento absorvido por livros, revistas etc, mas a vivências de mundo, conhecimentos partilhados, experiências compartilhadas, afinal, a vida é uma grande escola, não sabemos como levantar um muro de arrimo, mas o pedreiro tem letramento suficiente para isso; podemos não saber como fazer uma roupa, mas um alfaiate tem todas as técnicas para fazê-la. Há pessoas que não foram à escola, mas tem um elevado grau de letramento, por conta da leitura que faz do mundo. Paulo Freire também já disse que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, tal leitura contribui para a formação do senso crítico, e isso deve ser considerado.
7- A leitura de hipertextos pode ser muito construtiva para o processo de aquisição de conhecimento pelo aluno. Comente essa afirmativa.
R- Acredito que a leitura de hipertexto é a nova ordem da educação no mundo informatizado. Não há como se fazer uma leitura linear no hipertexto, pois sempre haverá os links para direcionar o leitor para onde ele quiser ir. Há aquelas leituras em impressos que levam o leitor a buscar outros conhecimentos, em enciclopédias, por exemplo, esse tipo de leitura também não é linear. A Bíblia, por exemplo, não pode ser compreendida linearmente, há sempre a necessidade de se buscar a relação em outro texto dela mesmo, a leitura da bíblia é, por conseguinte, hipertextual. A não-linearidade do hipertexto exige do aprendiz um esforço maior para buscar outros entendimentos, sem dúvida, essa busca enriquece o processo de ensino-aprendizagem, o aluno não recebe de mão beijada a interpretação textual, ele vai fazer a sua própria interpretação, a partir de suas buscas. Isso é muito construtivo para o processo educacional. A mídia eletrônica veio para facilitar esse esforço do aluno pesquisador, o aluno que quer saber sempre um pouco mais. Fora de controle. A aprendizagem do leitor hipertextual está fora do controle do professor e isso (isto) é muito positivo.
8- O que é falar bem? Você acha que tem relação direta com a leitura?
R- No meu ponto de vista, falar bem é se comunicar bem, é saber se comunicar pelos diversos gêneros textuais.
9- Que estratégias motivacionais você usa com seus alunos como incentivo à leitura?
R- Distribuo com eles vários livros, coloco sobre o birô, peço que eles leiam a orelha do livro, o resumo da história e escolham para ler aquele cuja história mais o interessou. Ninguém fica de fora da atividade, pois todos têm que contar a história que leu para os colegas e para mim. Outra estratégia é fazer uma leitura coletiva de um único livro, eles levam para casa para lerem três capítulos, quando chegam na sala, comentamos, depois leio com eles mais um capítulo ou dois, a depender do tamanho do capítulo, depois peço para eles levarem para casa para lerem mais três capítulos, depois aumentamos até concluir o livro. Seleciono o final das próximas aulas para apresentação de um por um. Sempre tem aqueles espertos que vão querer driblar inventando a história, aí terá que exercer o seu poder criativo...
10- A sala de aula é o ambiente propício para o aluno criar o hábito de ler ou hábito deve ser cultivado em outro espaço, a exemplo da leitura diária em casa?
R- Como dissemos na questão anterior, pode ser germinado na escola para então ser cultivado em casa. A escola é um ambiente propício para criar atmosfera de leitura, sobretudo quando a questão é aluno carente de comunidade problemática, uma vez que nesse caso o ambiente no lar não é favorável ao processamento cognitivo do aluno. Depois que a semente estiver plantada, pode ter certeza que ela germinará se for regada, há algumas que não são regadas, mas sobrevivem ainda assim, portanto é importante que não seja arrancada. Daí a importância da escola que pode ser a terra que a acolheu.
Entrevistadora: Madeleine Barros Agrelli (UVA)
1- Até que ponto um reduzido grau de leitura pode interferir na vida de um indivíduo?
R- Precisar o grau e a interferência na vida do indivíduo não é tarefa simples, além do mais a necessidade da leitura (no caso de livros) vai depender de vários fatores, a exemplo das atividades profissionais que exerça na sociedade. Se para sobreviver a contento, baste ao indivíduo fazer a leitura da direção de um ônibus, uma sinalização de trânsito, ou mesmo, apenas o próprio nome, o seu grau de leitura não precisa ser tão elevado. Entretanto se estivermos falando de leitura de mundo... aí adentramos por um outro viés.
2 -Você acha que qualquer leitura é construtiva para o processo de apropriação do saber? Justifique.
R- Isso é relativo. Vai depender do tipo de conhecimento que se queira apropriar. Segundo a Bíblia, o apóstolo Paulo afirmou que se deveria conhecer de tudo e reter o que era bom. Assim se dá com a leitura, podemos ler de tudo, sempre teremos o que aprender, não podemos imaginar que não haja o que aprender na leitura de determinado gênero. A questão é o foco de interesse, uma empresária feminista pode não gostar de livros de receitas, já uma dona de casa, dificilmente deixará de ter um exemplar em sua estante. Acho que aprender nunca é demais, como dizia o grande educador Paulo Freyre é preciso que quem sabe, saiba sobretudo que ninguém sabe tudo, e, que ninguém tudo ignora, no seu livro Pedagogia do Oprimido. O fato é que, se nós alimentamos preconceitos, e o fazemos, deixamos de nos interessar por determinadas leituras que somente nos enriqueceria, em termos de aquisição cultural. Em termos de apropriação do saber, todo tipo de leitura é válido, a depender do foco de interesse, entretanto, algumas leituras tem seu aspecto negativo quando interfere na ortografia por exemplo, se temos o costume de ler autores desavisados do ponto de vista da escrita, isso pode ter uma interferência negativa nesse aspecto.
3- Você concorda com a professora Nelly de Carvalho (UFPE) quando diz: “Quem ler mais, erra menos? Em que aspecto?
R- Plenamente! Nossa mente funciona como uma câmara fotográfica, quando lemos, absorvemos as formas como são escritas as palavras, enriquecemos nosso acervo lexical. Podemos sequer lembrar a regra ortográfica que implica em determinado lexema, mas certamente saberemos como escrevê-lo, pois está fotografado lá no aparato mental.
4- Em que aspecto pode-se dizer que a leitura interfere na escrita?
R- A leitura interfere na escrita em vários aspectos; na ortografia, como já mencionado na questão anterior, no estilo absorvido de determinado autor, nos termos relacionais usuais, no conteúdo, pois quem ler mais passa a ter mais ideias, a partir da leitura de outros pontos de vista, o leitor vai formulando os seus próprios pontos de vista. O indivíduo que não tem o hábito de ler, quando escreve terá o hábito de escrever fonologicamente, ou seja, da maneira como fala, e, como sabemos, a linguagem escrita diverge da linguagem falada. A linguagem falada tem o recurso do extralinguístico para auxiliar na comunicação, ou seja, um gesto, um olhar de aprovação ou reprovação, um morder de lábios. O falante vai fornecendo pistas de contextualização que auxilia o seu interlocutor interagir, fazer a leitura dessas sinalizações e até mudar de atitude...a linguagem escrita, não tem o auxílio dos fatores extralinguísticos, por isso tudo que se quer dizer, é preciso ser dito, do contrário não se fará entender. A leitura vai nos dar o conteúdo, por isso quando escrevemos, fazemos citações, referenciamos e usamos a intertextualidade, um dos critérios da textualidade. Somente quem tem o hábito de ler pode lançar mão de tais recursos.
5- O que significa a seguinte assertiva sobre o gênero HQ: “são atrofiadores de mentes”. Você concorda? Comente os aspectos positivos e/ou os negativos.
R- Não sou tão radical a esse ponto, mas compreendo o que o autor dessa assertiva quis dizer. Se viciamos a nossa mente a ler somente com o recurso da visualização, estamos nos condicionando a repugnar qualquer leitura que não tenha imagem. Outro ponto a ser discutido é que os elaboradores de tais textos, não têm a preocupação necessária com a linguagem escrita, com a normatização da língua. Temos por exemplo uma crítica a fazer nas falas do personagem Chico Bento, cujo exagero em pontuar seus erros na escrita não condizem com a realidade da própria escrita. Chico Bento jamais pode ter problema com acentuação, pois ele fala acentuadamente, mas quem escreve, com a intenção de mostrar que ele “fala errado”, não coloca os acentos gráficos nas palavras, ou, mais absurdo ainda, registram problemas de ortografia da fala de Chico Bento, um exemplo grosseiro, se o personagem pronuncia uma palavra com ch, o escritor grafa com x, só que do ponto de vista fonético tais fonemas são idênticos, o dígrafo ch tem o som de x, se ele diz “cheiro”, vão escrever xero. Enfim, há um exagero que pode ser prejudicial aos leitores que estão no processo de aquisição da linguagem. Já as tiras de Mafalda são interessantíssimas, criativas e inteligentes. De modo que os aspectos positivos desse gênero textual estão na fruição e na criatividade de algumas tiras e também, no gosto pela leitura, quando se está ainda no início do processo. Os negativos, como já foram vistos estão relacionados ao condicionamento visual e às questões ortográficas.
6- Qual a relação entre letramento e a leitura de impressos?
R- Uma pessoa que ler muitos impressos tem hábito de leitura. Inferimos disso que ela naturalmente tem grau elevado de letramento, posto que adquire novos saberes através da leitura. Não podemos dizer, entretanto, que o letramento está relacionado apenas a esse tipo de conhecimento absorvido por livros, revistas etc, mas a vivências de mundo, conhecimentos partilhados, experiências compartilhadas, afinal, a vida é uma grande escola, não sabemos como levantar um muro de arrimo, mas o pedreiro tem letramento suficiente para isso; podemos não saber como fazer uma roupa, mas um alfaiate tem todas as técnicas para fazê-la. Há pessoas que não foram à escola, mas tem um elevado grau de letramento, por conta da leitura que faz do mundo. Paulo Freire também já disse que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, tal leitura contribui para a formação do senso crítico, e isso deve ser considerado.
7- A leitura de hipertextos pode ser muito construtiva para o processo de aquisição de conhecimento pelo aluno. Comente essa afirmativa.
R- Acredito que a leitura de hipertexto é a nova ordem da educação no mundo informatizado. Não há como se fazer uma leitura linear no hipertexto, pois sempre haverá os links para direcionar o leitor para onde ele quiser ir. Há aquelas leituras em impressos que levam o leitor a buscar outros conhecimentos, em enciclopédias, por exemplo, esse tipo de leitura também não é linear. A Bíblia, por exemplo, não pode ser compreendida linearmente, há sempre a necessidade de se buscar a relação em outro texto dela mesmo, a leitura da bíblia é, por conseguinte, hipertextual. A não-linearidade do hipertexto exige do aprendiz um esforço maior para buscar outros entendimentos, sem dúvida, essa busca enriquece o processo de ensino-aprendizagem, o aluno não recebe de mão beijada a interpretação textual, ele vai fazer a sua própria interpretação, a partir de suas buscas. Isso é muito construtivo para o processo educacional. A mídia eletrônica veio para facilitar esse esforço do aluno pesquisador, o aluno que quer saber sempre um pouco mais. Fora de controle. A aprendizagem do leitor hipertextual está fora do controle do professor e isso (isto) é muito positivo.
8- O que é falar bem? Você acha que tem relação direta com a leitura?
R- No meu ponto de vista, falar bem é se comunicar bem, é saber se comunicar pelos diversos gêneros textuais.
9- Que estratégias motivacionais você usa com seus alunos como incentivo à leitura?
R- Distribuo com eles vários livros, coloco sobre o birô, peço que eles leiam a orelha do livro, o resumo da história e escolham para ler aquele cuja história mais o interessou. Ninguém fica de fora da atividade, pois todos têm que contar a história que leu para os colegas e para mim. Outra estratégia é fazer uma leitura coletiva de um único livro, eles levam para casa para lerem três capítulos, quando chegam na sala, comentamos, depois leio com eles mais um capítulo ou dois, a depender do tamanho do capítulo, depois peço para eles levarem para casa para lerem mais três capítulos, depois aumentamos até concluir o livro. Seleciono o final das próximas aulas para apresentação de um por um. Sempre tem aqueles espertos que vão querer driblar inventando a história, aí terá que exercer o seu poder criativo...
10- A sala de aula é o ambiente propício para o aluno criar o hábito de ler ou hábito deve ser cultivado em outro espaço, a exemplo da leitura diária em casa?
R- Como dissemos na questão anterior, pode ser germinado na escola para então ser cultivado em casa. A escola é um ambiente propício para criar atmosfera de leitura, sobretudo quando a questão é aluno carente de comunidade problemática, uma vez que nesse caso o ambiente no lar não é favorável ao processamento cognitivo do aluno. Depois que a semente estiver plantada, pode ter certeza que ela germinará se for regada, há algumas que não são regadas, mas sobrevivem ainda assim, portanto é importante que não seja arrancada. Daí a importância da escola que pode ser a terra que a acolheu.
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